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Camila
Quero "todo o amor que houver nessa vida e algum trocado pra dar garantia e algum veneno anti monotonia".
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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sou.

Sou.
Assim,
sem predicativo e sem fazer ligação.
Porque ser,
só sendo mesmo,
já é complicado demais para mim
e se engana quem vê simplicidade nisso.
Ser-o-que-é não é uma redundância,
ser-o-que-é é quase um eufemismo.
Porque ser é grande.
Ser é tão amplo que
me toma todo o ar.
Vivo para ser.
Por isso,
ser, às vezes,
me cansa.

Sou.
Assim,
sem complemento nem adjetivo.
Porque ser,
esse ser completo,
já é difícil demais para mim
e ingênuo é aquele que vê naturalidade nisso.
Porque ser não é inocente.
Ser é tão culpado que
se torna quase uma obrigação.
Ser me toma todo o tempo.
Não paro de ser.
Por isso,
ser, às vezes,
me cansa.

Sou.
Assim,
um verbo irregular.
Porque ser,
esse ser complexo,
já é ser demais para mim.
E inconstância não é sujeito simples,
é sujeito sempre.
Então continuo a ser,
mesmo sem saber
ou querer.
Por isso,
ser, às vezes,
me cansa.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Para sempre amar para sempre

Se amor é para sempre? Claro que é! Ou se ama para sempre ou não é amor de verdade, daqueles que enchem as salas de cinema de choro e beijo na boca. Eu já amei para sempre. Amei para sempre, até ter que ir embora. Amei para sempre, até por um único fim-de-semana. Amei para sempre, até quem não soube me amar. Pois amo sem a angústia do fim das coisas, sem a pressão do fim dos tempos, sem o medo do fim do mundo. Amo sem seguir calendário, sem olhar o relógio e sem me preocupar se vai dar tempo gostar. Amo aproveitando cada tempinho que o para sempre sempre tem para dar.

Quem ama para sempre está livre da hora marcada, dos minutos contados e dos segundos perdidos, já que, o tempo todo, todo o tempo é eterno e tudo que é eterno tem a tranquilidade de não saber terminar. Quem ama para sempre não tem um amor aflito, não faz amor apressado e não agenda uma surpresa ou uma declaração. Quem ama para sempre conta os dias pelas noites dormidas juntinho, e assim, com o tempo, se esquece de saber o que é solidão.

Amar para sempre não é enganar a morte ou trapacear no jogo, não é pecado capital ou suicídio em longo prazo e não é ludibriar um futuro ferido ou tornar-se seu próprio bandido. Amar para sempre é seguir o que o destino coloca no caminho, porque ele sempre vai levar o amor e o tempo ao mesmo lugar, até para quem se preocupa em se preocupar. Amar para sempre é amar para sempre, até o tempo se encarregar de ser notado, infelizmente, e o para sempre ter começo, meio e fim, finalmente. Mas, até aí, já fui feliz para sempre, durante todo o tempo que pude, e isso nem o tempo pode tirar.

Então, se você tem um amor hoje, faça dele um amor para sempre, pelo menos até o dia acabar.


segunda-feira, 20 de abril de 2009

Meu ponto de vista

Campo aberto, horizonte para todos os lados e eu caminhando para frente. Ou seria para trás? Tanto faz, porque não sou referência, não tenho referencial e não referencio ponto cardeal parado. Olho para frente, que é rumo de quem vai. E eu sou de ida. Ando de partida. E vou. Mas volto. Meia volta, volta e meia, já. Porque o que era é trás pode virar frente. Depende. Mas pouco importa, já que meus olhos, esses sim, são norte. Sempre. E eu olho para todo lado para ver até o lado de dentro. Assim, o que já foi visto já foi vivido, sentido, concretizado. Então não tenho medo de encarar meu passado, de não prever o futuro e de enxergar que eu sou meu guia. E já que os olhos são meus, quero ver o lado bom da vida. Sim, o olho a vida pelo lado que me convém. Porque o pior cego não é aquele que não quer ver, cego mesmo é aquele que só enxerga um dos lados da moeda. E ô coisa difícil essa de mudar a moeda de lado! Porque, às vezes, precisamos de mais, muito mais, que força para conseguir observar o que o óbvio joga na nossa cara. E ter mais que força é ter vontade. Sim, tenho força de vontade, vejo ângulos diferentes e percebo que diferente sou eu, que sou míope e não preciso de óculos para enxergar o melhor que a vida tem para mostrar. Então vejo que o colorido das coisas depende sim do ponto de vista de quem vê, porque hoje “há flores em tudo que vejo” e fui eu que as plantei. E é bom saber que o lado bom da vida está do meu lado, que minha moeda está virada para o lado certo e que vejo o lado positivo por todos os lados.

sábado, 18 de abril de 2009

Distraidamente feliz


Ela acordava. Acordava e era feliz. Hoje não é mais um dia, pensava. O hoje é a vida acordando e dizendo bom dia. Para ela, café da manhã é café da manhã e pronto. Ela comia, mas não pensava em como seria o dia. Só comia. Comia e era feliz. Ela era distraída. Distraída, se batia sempre em coisas e em cantos. Se batia, tropeçava e era desastrada. Era assim e não reclamava. Era assim e era feliz. Porque um dia ela esbarrou no amor de sua vida. Pediu desculpas e ele pediu um beijo. Ela beijou e se apaixonou. Então beijava e era feliz. Para ela, simplesmente viver é jeito de levar a vida. Ela vivia assim, como quem não quer nada mais da vida, além da vida. Então simplesmente vivia. Vivia e, só por isso, já era feliz.

O que salva então é viver distraidamente.*













*A frase final é uma adaptação da frase de Clarice Lispector em Paixão Segundo G. H. pela qual me apaixonei... “O que salva então é escrever distraidamente.”

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Sobre viver


Por uma questão de sobrevivência, vivo.
Vivo sonhando. Vivo sorrindo. Vivo vivendo.
Vivo até morrendo. De alegrias e tormentos.
Vivo. Sobrevivo. Vivo sobrevivendo.

 
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