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Camila
Quero "todo o amor que houver nessa vida e algum trocado pra dar garantia e algum veneno anti monotonia".
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Esperando


Estou de portas e olhos bem abertos.
Acreditando que só preciso acreditar.
Então espero para não deixar nem tempo passar.
Porque felicidade é substantivo concreto
e eu preciso agarrar.
Já deixei muita gente e vida demais escapar.
Agora conto segundos, conto histórias,
mas não conto com a possibilidade
de não viver meu conto de fadas particular.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Entre achados e perdidos

Ela acordou cedo, escovou os dentes, tomou banho e se vestiu. Estava atrasada, se achando gorda e era um dia normal. E foi, até ela se perder completamente. Ela estava no elevador e se perdeu completamente naquele olhar. Que homem tem aquele olhar? Porque ele a olhou assim? Ninguém percebeu aquele olhar? Só ela? Se ela fosse uma daquelas modelos altas e anormalmente perfeitas, ela até poderia achar que ele olhou para ela, mas não. Não. Ele olhou através e parou em algum lugar entre o castanho dos olhos dela e as lembranças borradas pela miopia dos sentimentos de uma mulher que não precisa de médico de olhos, ou precisaria, se ele conseguisse ver alma.

Agora o homem fora embora e ela sabia que nunca mais o veria. Ou talvez ela o tenha simplesmente imaginado ou inventado para si mesma que precisa de alguém que tenha olhos e veja mais que roupas da moda, cabelos escovados, pele hidratada e olhos, para fazê-la pensar no que não estava vendo. Ela não sabia, mas sabia que estava perdida em algum lugar entre o vigésimo andar e o dia em que não casou. Porque ela não casou? Porque seu noivo não estava com ela? Ela não lembrava. Ela tentava encontrar uma resposta, mas não lembrava como ela havia saído do altar e aparecido naquele elevador cheio de gente e perguntas. Então ela lembrou. Lembrou que fugiu e não teve coragem de dizer sim. Hoje faria um ano que ela estaria casada, mas ela não disse nada e se foi.

As portas se abriram, era o térreo e ela tinha chegado ao seu destino. O elevador ficou vazio e ela ficou parada. Presa por muita culpa e muitas dúvidas, mas com uma única certeza, ela não gostava de se perder. E ela estava perdida sem ele. Nesse momento, ela não tinha forças pra procurar nem por ele e nem por respostas. Ela só tinha certeza que queria recuperar o tempo perdido e que havia perdido o único homem que havia se encontrado nela. Então ela saiu do elevador e andou, como quem sabe para onde está indo, mas ela não sabia para onde ir, ela só queria ir para ele. E foi. Como quem perde o medo e encontra a felicidade.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Silencioso poema


*“Si ce que tu as à dire n’est pas plus beau que le silence, tais-toi.”

Hoje nada digo
Não faço barulho doído

Aqui ecoa meu silêncio
Meu grito sai em voz muda

Escrevo sem fazer roído
Palavras nas pontas dos pés

O som sai surdo porque
Faço tumulto contido










*O provérbio é árabe, mas o conheci em francês. A tradução fica assim: “Se o que tens a dizer não é mais belo que o silêncio, cala-te.”

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O eu de mim

Penso em não pensar em mim, mas não sou só o que penso. Sou o eu do penso. Sou até o que está implícito. O eu oculto da minha ação mais pessoal. Sou a redundância de ser o que é. Sou o eu do sou. Sou o sujeito de frases e do mundo. E faço verbo e vida acontecerem. Sou eu acontecendo e sendo a primeira pessoa sempre. Mas não singular. Ou até sou o singular do plural das coisas. Porque eu sou eu o tempo todo e por toda parte. Um íntimo transbordante. Eu sou eu até demais. E só sei ser isso. Eu em exagero. Eu sou eu até fingindo. Sou a verdade da mentira que invento. A história da minha estória. Meu alterego particular. O eu de eu mesma ao extremo. Eu sou assim, o excesso de mim.

 
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