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Camila
Quero "todo o amor que houver nessa vida e algum trocado pra dar garantia e algum veneno anti monotonia".
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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Deserta


Descontente. Estou descontente e ando pela areia da praia. Deixo-me molhar os pés e não estou de alma lavada. Quero gritar. Grito. A praia é deserta. Vestido lilás e sandália combinando, pra ninguém ver. Ou achei que iria encontrar um sapo. Sapo dá em lago, em praias desertas não dá ninguém. Só eu. Descontente. Estou descontente e procuro príncipe encantado. Só encontrei piche. Um pé preto. Pé preto sozinho. Eu não quis limpar. Meu pé agora estava preto e isso não me importava. A mancha lhe fazia companhia. Agora há uma mancha em mim. Não, sempre há manchas em mim. Sempre. Não gosto de pensar nisso e lembrei que meu cabelo está preso. Fico mais bonita se soltar os cabelos. Vejo alguém se aproximando. Homem. Continuo com meus cabelos presos. Ele não parece com o sapo que sonhei pra mim. E hoje não devem chover sapos. Queria que chovessem sapos. Só uma vez. Enquanto não chove nada, olho o homem. Descontente. Estou descontente e o encaro como quem não tem medo se sentir a alma de ninguém. Não quero que ele se assuste com a minha. Nem olhos verdes eu tenho. Desvio. Há algumas ondas, a praia não está mais deserta e me sinto mais sozinha ainda. Fico com raiva do homem que apareceu por maldade. Só pra me provar que a praia não é minha. Sempre quis casa na beira da praia e não tenho mais minha casa de bonecas. Ele me olhou como quem masca chiclete. Tenho mania de sentir raiva de quem nem conheço ou de me apaixonar por qualquer homem que vejo na rua. Descontente. Estou descontente e ando pela areia da praia.















*“Auto-ficção” escrita após uma conversa que teve como assuntos: Magnólia, Brilho eterno de uma mente sem lembranças e Green eyes (dentre outros, é claro).

11 Finais Felizes:

Lorena disse...

E quantas vezes já senti a mesma sensação, a mesma solidão descontente, eu não sei... E acho que nada combina mais com isso do que a praia deserta, é o lugar perfeito para os solitários crônicos. E essa raiva de quem aparece de repente para estragar nossa solidão também é comum.

E eu adorei, adorei o seu texto, Camilinha... Porque ele é muito mais cheio de sensações do que as palavras permitem.

Su disse...

Praias desertas e contos solitários... Talvez todo mundo sente essas solidões que nos cerca, nos envolve e nem sabemos o porque de tudo isso.. Mas dias em praias desertas, ou em parques solitários nos inspiram e nos levam ao caminho de alguns sorrisos...
Lindo texto, Florzinha!!
Beijooos no seu coração!!

Du disse...

Putz, e eu me vi nessa praia, com os pés descalços na areia sujos de piche e nada no corpo nem no coração além de piche mesmo... completamente descontente e solitária, querendo mais que tudo na vida que chovessem sapos, pelo menos uma única vez...nunca choveu, sabe? Mas nunca esqueci do filme, pelo menos isso! rsrsrsrsrs


Beijos no seu coração lindo!

Pâmela disse...

Todos nos sentimos sozinhos, às vezes. Ou sempre, depende...
Mas você sabe que não está sozinha.
Ou está.
Na verdade, acredito que todos estamos sozinhos, por mais acompanhados que estejamos.
Sempre estamos sozinhos porque ninguém compartilha conosco nossa própria visão de mundo.
Dentro de nós mesmos, estamos sozinhos.
mas isso não significa solitários...
Consiguiu entender? Acho que não, né? Hehehehehehe
Beijos!

Márcia(clarinha) disse...

Minha flor querida,
aponte quem já não sentiu-se descontente de pés no chão, perdido na própria solidão?
Assino embaixo da sua "auto-ficção", perfeito encaixe nos meus dias.

lindos sejam os seus dias
beijos

Salve Jorge disse...

Deserta
Desperta
Que mesmo se incerta
Mesmo se aperta
Há que se manter a estrada aberta
Às possibilidades...

Babi Mello disse...

Caminhe pela praia deserta e mesmo que descontente, pense há inúmeras possibilidades.

Wagner L. Moreno disse...

|Adorei... mas ficou com raiva ou se apaixonou?

Letícia disse...

Sim. Vi Magnólia sim. A chuva de sapos. Eu bem queria uma chuva dessas. Chuva de concepções. Texto de Camila que cria ser descontente, mas livre. Acho que ficar triste também é um direito que se tem. Adorei.

E sou de peixes, Camila. Leio horóscopo e romantismo pra mim é como água. Preciso.

Beijos...

disse...

Essa época do ano sempre nos deixa assim, meio descontes.
Beijos minha linda criança!

Juca disse...

Ai, que vontade deu agora de estar numa praia deserta! Sem compromisso, sem preocupações, sem mais "seres humanos", sem maldade!

Adorei a viagem, Camilinha! Engraçado que não consegui colocar feições nos personagens. Bom, talvez tenha sido proposital por parte da minha mente! Uma vontade de fugir! :-)

Beijos!

 
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